A Solidão é uma Arte.

A Solidão é uma Arte.
"Creio que o maior antídoto para a solidão seja exatamente isso: autoconhecimento."

domingo, 28 de setembro de 2014

Sobre ir embora.



Essa talvez seja minha história mais triste. Não se difere das outras no que diz respeito a carregar muitos sentimentos com uma boa dose de equilíbrio. Talvez até seja a que mais se aproxime de um sentimentalismo total abraçado a uma razão incontestável. Após tantas experiências, tantos encontros e desencontros que despertam uma vontade, que começa pequenina, mais que após longa caminhada, você olha para trás, liga fio a fio e enxerga que essa vontade se mistura com seus sentimentos fazendo com que tudo tenha lógica e sentido.

Por hora, você não pensa muito, mal quer saber de pensar em alguma coisa, pra falar a verdade. Mais quando pensa, abre os olhos da mente e quase sempre os olhos do coração interferem naquilo que você julga está decidindo através das imagens que circulam seu universo pessoal. Tudo aquilo que parece ser nebuloso começa a ficar mais claro. Sozinho, no meio de um espaço e não conseguir mais compreender a razão pela qual você está ali. Sentir-se sozinho, perceber que as coisas que você faz não te trazem verdadeira felicidade. Mas a vida ta aí pra provar que tudo é subjetivo, que tudo é momento. Mas você não aguenta mais isso. Talvez esteja mais perto do que nunca de um limite.

De muitas tentativas de recomeçar, um dia tudo isso cansa. Não que não valha a pena recomeçar. É bom, sempre é maravilhoso. Mas talvez seu corpo, sua mente e seu coração precisem de um tempo maior para repousar. Você está cansado de tudo isso. Tudo que acontece ao seu redor, mesmo que seja feliz, não te traz aquilo que talvez um dia era o que te fazia feliz e só aquilo parecia importar. O tempo passa e as cicatrizes te fazem amadurecer a ponto de quem sabe se desafiar a ter um discernimento grande em sua vida. Você não consegue mais se permitir recomeçar.

É chegada a hora de partir para um encontro consigo mesmo, em outro patamar de vida, em um momento que você possa ser capaz de criar uma identidade nova, que possa se descobrir novamente, se reinventar de uma maneira que potencialize sua personalidade e te torne firme, quem sabe até recuperando a essência daqueles sentimentos que você tanto prezava, sem deixar de lado a razão, encontrando o verdadeiro equilíbrio que te mova a ser você mesmo sempre.

Se vão sentir saudade eu não sei. Procuro não pensar nisso. A luta é muito mais interna do que qualquer outra coisa que eu tenha feito ou sentido. Aquele, cujo sorriso externo era reflexo do seu verdadeiro interior, precisa se renovar, dessa vez de uma maneira total e livre de qualquer pressão que exista. O Barco está chegando. Veremos o que acontece ..

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Encontro entre o Homem da meia-noite e a Mulher do dia.



O (des)concerto de um sentimento verdadeiro começa quando o Homem da meia-noite encontra a mulher o dia. Eles nunca se encontram.

Dona de um sorriso lindo, de um olhar sincero e direto, de um riso doce, de um jeito capaz de desconcertar qualquer regra, a mulher do dia desperta lampejos de saudade colocando em prova o equilíbrio entre a razão e a emoção do homem da meia-noite, fazendo com que todo corpo do mesmo fique enfeitiçado por uma liberdade em que se é colocado a prova toda sua vontade de se permitir. É uma das poucas sensações no mundo em que é perda de tempo tentar esquecer ou fingir que não está com o pensamento completamente dominado por tal façanha. O homem da meia-noite é observador, bastante conservador, mais o que o diferencia dos demais é sua abertura ao novo. Quando encontra um íntimo desafiador, desvenda pacientemente cada peça do quebra-cabeça até montá-lo por completo, sabendo então que cada momento deixa de ser subjetivo e torna-se direto, recompensador e produtivo. Após minuciosa análise, põe algo em prática. O Homem da meia noite encontrou a mulher do dia, viu seu sorriso ser recíproco, a beijou e sentiu-se imensamente feliz por um instante que parecia ser infinito. Desse encontro desenvolveu-se um belo fruto de dois caminhos, olhar para trás ou viver o presente momento. Um é feliz pelo caminho traçado até o êxito do encontro. O outro é um completo desafio, não menos feliz que o primeiro. 

Naquele domingo chuvoso, a mulher do dia levanta-se ao lado do homem da meia-noite, se despede e parte deixando um profundo impacto de coisas que há muito o homem da meia-noite não sentia. Ficou nele a sensação de que não foi uma despedida e que o caminho dos dois pode se cruzar em um lugar onde menos se espera. Se fechar olhos, sempre se lembrará de um momento único ao lado da mulher do dia, a beira do mar, sentindo a chuva e olhando toda aquela imensidão, de tamanha e rara beleza, ao mesmo tempo em que o seu olhar era confortavelmente conquistado e dominado pelo olhar da mulher do dia, trocando o que de melhor casou esse encontro, a liberdade de sensações com a troca de calor humano. 


Em seu caminho para longe, a mulher do dia sente-se cativada e dominada pelo encontro com o homem da meia-noite. Metade dela quer guardá-lo, quietinho, em um lugar tranquilo, onde ficam as boas lembranças, o afeto e aquela saudade que não incomoda, só acrescenta. A outra metade quer o descobrir por inteiro, quer que ele continue a dominando, tomando seus pensamentos. A mulher do dia pensa o quão bom seria essa troca, crescer com o homem da meia-noite, e da próxima vez o encontrar lhe conhecendo. Seria como encontrar pela primeira vez, alguém que já a habita. Sabe bem que se não fosse tão ela, isso já seria um ganho, mas sendo como é, torna-se confuso e dá medo. O homem da meia-noite tocou a mulher do dia como ela nunca havia sido tocada, mas uma andorinha só não faz primavera.

Não faz primavera, não faz verão, porém sempre volta ao mesmo lugar. A andorinha persegue os lugares onde aquilo que lhe traz felicidade está, mesmo que por um momento. Ela faz cada segundo ser intenso e compartilha do seu bom sentimento para com o próximo. Ela é livre e faz escolhas que a modificam internamente, sabendo das consequências. Se fosse normal, não faria sentido. Se não fosse confuso, não teria graça. Se não desse medo, não valeria a pena viver e acredito que pra o homem da meia-noite sentir novamente os lábios da mulher do dia nos seus e compartilhar o calor e o aconchego de seu abraço com a mesma, ele seria capaz de ser como uma andorinha, pois a cada voo na direção da mulher do dia, uma nova história é feita como a de dois jovens que atravessam barreiras para unir o útil ao essencial e fazer um filme real. Pode parecer estranho, mais é verdadeira a sensação de que falta um sorriso que acompanhe o do homem da meia-noite e o dê sentido, Ele prefere acreditar no sorriso da mulher do dia, que mesmo distante e por momentos únicos, lhe devolveu a vontade de liberdade a ser quem ele é ao lado de alguém.

Mais que a esperança, fica a vontade de que os dois se reencontrem e façam desse novo momento um momento único que se eternize como o primeiro encontro entre o homem da meia-noite e a mulher do dia.


Paulo Matheus Morais Monteiro.


domingo, 16 de março de 2014

Dois caminhos.


Só existem dois caminhos: Voltar ou Permanecer aqui.

A vida perde o frescor, a vibração quando ficamos presos nos velhos padrões de pensamento, emoções, sentimentos do passado ou ficamos alimentando expectativas pelo futuro. Para aprender a viver o momento presente é importante perceber o que estamos pensando. É essencial este autoconhecimento: detectar como são nossos pensamentos para dissolver os padrões errôneos. Precisamos começar a observar nossa mente, ser a testemunha de nossos sentimentos.

Toda a negatividade é causada pela negação do presente. A ansiedade, o estresse, a reocupação, todos os tipos de medo são causados por pensar em excesso no futuro e por não estar presente. Os sentimentos de culpa, tristeza, arrependimento, amargura, incapacidade de perdoar são causadas pelo excesso de passado e pouca presença. Assim quando perceber que está muito ansioso, preocupado, com estresse, com medos, observe seus pensamentos ligados ao futuro, corte-os na raiz e substitua-os por pensamentos do momento presente. Procure se focar no que está fazendo, com a mente mais concentrada e tranquila.

Todas as transformações que podemos fazer para melhorar nosso futuro estão no aqui e no agora. O presente tem o poder de nos libertar da preocupação com nossos problemas. O único lugar, onde pode ocorrer a verdadeira mudança, onde podemos dissolver o passado e ficarmos livres da ansiedade do futuro, é no agora. O agora, o momento presente tem muito poder. Podemos ser felizes agora, e não em um futuro longínquo e ou em um passado ilusório.

“Você não pode ser feliz no passado. Você não pode se libertar no futuro. O poder está no agora. A chave para alcançar suas metas, realizar seus desejos, ser mais livre e autoconfiante é estar no presente.”

Achamos que nosso sofrimento e nossos problemas dependem apenas dos acontecimentos ou das pessoas. E, muitas vezes isso é verdade, mas apesar de tudo que nos acontece, podemos ser mais felizes se soubermos como lidar com a disfunção básica da mente: o apego ao passado e ao futuro; e a negação do momento presente.

Não podemos mudar muitas coisas no momento presente, pois as causas estão no passado que não existe mais, mas podemos mudar nossa atitude. Isto faz toda a diferença. Podemos mudar o como pensamos, sentimos, aceitamos, falamos e fazemos. Desta maneira, estaremos mudando os efeitos de nossa colheita, diminuindo nosso carma, superando e transcendendo nossas dores. Não possuímos nada neste mundo, nem ninguém. Nem nosso corpo, nem posses. Somente possuímos o tempo presente e, senão estamos vivendo o agora, não possuímos nada.

Se mergulharmos profundamente no momento presente, respondendo a desafios e acreditando que as atuais circunstâncias em que nos encontramos são exatamente as necessárias para avançarmos pelos caminhos da vida, toda ela pode tornar-se extraordinária e ser celebrada em cada novo dia que começa como uma oportunidade de renascimento. Não ficamos, então, presos ao passado nem àquilo que já fomos. Questionamos, examinamos, exploramos, avaliamos. Mudamos de ideias. Descobrimos novas realidades. Empenhamo-nos. Recomeçamos continuamente. 

Em vez de passar a vida preocupados com o que os outros acham de nós, se nos aprovam ou desaprovam ou em corresponder-lhes às expectativas, somos levados a ouvi-los e compreendê-los. E a ver que, tal como nós, qualquer deles tem as suas limitações. Mas é também habitado pelo ilimitado. 

Cada um tem o seu caminho a percorrer, nesta vida que é uma viagem que não acaba mesmo quando a nossa caminhada chega ao seu termo. Conscientes de que nenhum instante da nossa vida se repetirá – nunca teremos uma nova oportunidade para viver o atual momento -, encaramos a realidade do fim, do nunca mais.

Pare de pensar sobre o seu desempenho. Pare de se preocupar com o futuro, foque no presente. Se você quer ter um futuro no seu relacionamento, habite o presente (respire). Para aproveitar ao máximo o tempo, perca a noção dele. Se algo está lhe incomodando, mova-se em direção a ele e não para longe dele. Saiba que você não sabe.

E se procurarem saber por que é que todas as imaginações humanas, frescas ou murchas, tristes ou alegres, se voltam para o passado, curiosas de nele penetrarem, acharão sem dúvida que o passado é o nosso único passeio e o único lugar onde possamos escapar dos nossos aborrecimentos quotidianos, das nossas misérias, de nós mesmos. O presente é turvo e árido, o futuro está oculto.

A vida é aprender que não se pode esperar o amanhã, pois o amanhã simplesmente é um mistério. Viver o presente é ser sábio e, viver do passado e do amanhã é acreditar em ilusões concretas.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Lampejo de saudade.


 “A saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena.”

Até que ponto vale a pena sentir saudade do passado? Subjetivo.

É bom sentir saudade, pois cada segundo dela vivido nos mostra que tudo vale a pena quando é verdadeiramente verdadeiro. E quando sentimos falta é porque foi bom. Concorda?

Um pequeno lampejo de saudade rebuscada nos arquivos da mente e todo corpo fica enfeitiçado da mesma. É perda de tempo tentar esquecer. Que sentir saudade não significa que você melhorou como pessoa, que agora magistralmente seu temperamento é compatível e o correto seria viver aquilo tudo de novo, do êxtase à dor. Significa apenas que foi bom, que foi inesquecível. E que qualquer amor que força as cordas vocais a produzirem um eu te amo não tem fim, mesmo acabando sempre do mesmo jeito, dividido por dois.

Será que vale a pena ficar minutos, horas, dias, meses, pensando o que o outro está sentindo, pensando e fazendo? Por que sentimos tanta dificuldade em voltar o foco apenas para nossa própria vida? Será que ficamos tristes e decepcionados por estar longe de quem amamos ou será que é por tudo que deixaram de fazer e nos fizeram sentir? Contraditório, não? Pois se durante um relacionamento sofremos por algumas atitudes ou pela falta de outras, como podemos sentir falta do que nos fez sofrer? Creio eu que sofremos mesmo por aquilo que esperávamos receber e não recebemos, pelas expectativas que criamos ao longo da vida. Sofremos na verdade não por estar sem a presença daquela pessoa, mas sim por não realizarmos o que tanto esperávamos junto dessa pessoa. Mas não podemos querer sozinho o que pode e deve ser feito a dois.

A realidade é muito triste. As pessoas gostam do sentimento de saber que alguém corre por elas. As pessoas gostam de saber que tem o domínio sobre outra pessoa. As pessoas fingem precisar de quem não precisam, pelo simples fato de quererem se sentir amadas. As pessoas apaixonam umas as outras, sem a intenção de estar junto. As pessoas gostam dos finais, e fazem de tudo pra jogar a culpa do outro lado. A maioria não ama, faz amar. E nunca são o que se dizem ser. Dói-me compreender isso, mesmo lutando por um objetivo onde minha meta é traçar o oposto do que essa realidade aterrorizante nos passa. É crer que ainda há esperança dentro disso tudo. Que tudo pode ser diferente. Que tudo possa ser sincero e verdadeiro a ponto de transformar essa dura realidade negativa em algo positivo e nos torne mais humanos.

“Ontem sonhei contigo e passei todo o dia a desenhar o teu rosto na paisagem e até no asfalto quente em que freei distraído diante dos teus olhos: uma miragem do sol ou dos meus desejos. Não foi teu sorriso que eu vi no retrovisor nem tua era a mão do vento que afagou os meus cabelos tristonhos. Foi só um lampejo de saudade que te trouxe a mim como um presente.”

É uma pena. Merecíamos muito dividir a nossa dor. Quem sabe daí, não brotaria um novo amor. Não foi por desespero não foi por solidão. Eu realmente quis conhecer melhor o teu coração. Mas, mais uma vez a vida, me negou a oportunidade de ser feliz. É uma pena você ter ido por um caminho. É uma pena eu não ter te seguido. Pois saiba que se você tivesse aberto seus braços para mim, tenho certeza que era neles que eu hoje repousava e me acalentava. É estranho sentir saudade do que a gente não conseguiu viver. Optar pelo óbvio ou pelo mais fácil nem sempre traz felicidade. Escolhas.

"Dê valor as pessoas enquanto elas estão por perto. Saudade não será motivo suficiente para que elas voltem."

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Uma renúncia interessante.



Dizem que a renúncia deve ser alternativa apenas em situações muito graves, ao ponto de prejudicar a pessoa amada.  Mas deve ser a última alternativa, quando não houver outra saída. Mas com certeza, é uma das formas mais sublimes de amar. Totalmente altruísta. E, devem ser raríssimas as pessoas que conseguem tamanha proeza. Dizem também que não é ser covarde, é não querer correr riscos.

Dizem que é a maior prova de amor em algumas situações e que existem casos que devemos deixar ir em frente e guardar boas recordações. Não devemos ser egoístas, exigindo que a outra parte nos ame, só porque estamos envolvidos pelo sentimento. Em contra partida, dizem que você pode se arrepender amargamente depois.

Existe uma vertente que reforça a hipótese de que renunciar, significa desistir, e desistir de um verdadeiro e grande amor, só se concebe em um único caso: se não existe recíproca da outra parte e se não temos certeza de que faremos o outro feliz. Porque, embora nem sempre ou quase sempre, não se admita, lá no fundo de nosso interior, todos sabemos, sentimos, algo que nos sussurra ou grita que podemos fazê-la(o) feliz. Se esta certeza só existir superficialmente, fruto de uma paixão, ilusão, então sim, melhor renunciar. 

Alguns amores são muito mais bonitos no mundo dos sonhos. As ideias ganham vida própria a cada suspiro. Hora de consertar os tempos verbais e o coração partido. Hora de reconhecer que eu amo a possibilidade de te amar. Tantos anos para entender algo tão simples de se explicar. Nada que envolva amor é tão singelo assim. Não se resume sentimentos em palavras, apenas se conjuga o necessário para iluminar a sabedoria daqueles que falam sem pensar. A identificação é consequência, mas eu nunca poderei, efetivamente, entregar conclusões que saciem sua eterna indignação. A intensidade rasga a sensatez. Em nome do amor.

Acredito que seja possível levar o sentimento para sempre, mas talvez não seja possível ficar no mesmo lugar e agregar sentido ao inóspito. O tempo passa. Você cresce e muda. Gosto da ideia de querer mais que aguardar o que talvez nunca chegará. "Eu quero o amor, talvez não aquele que eu desejo. Eu quero o que pode ser. Eu quero mais que elogios, eu quero viver. De amor, eu prefiro nascer várias vezes e todas serem como a primeira. Eu desejo ter o amor, mais e mais." Tudo faz parte de um ciclo vicioso da vida. Existe a opção de levar o tal sentimento nas intocáveis lembranças do interrompido, na alma, na poesia calada.

O amor não é um escambo, há quem não entenda. Nem sempre você será amado em troca. É o que se quer. Alguém para compartilhar sonhos, derrotas, segredos; alguém que represente a denotação de perene; alguém em que você possa enxergar o que lhe faltava, além do próprio amor. Ensinaram-nos que para o amor é essencial renunciar. Que devemos abrir mão de nossa individualidade, dos nossos gostos, do nosso tempo, dos nossos sagrados, do nosso crescimento, etc. Tudo por amor a alguém. Com o passar do tempo, todo esse sacrifício amoroso vira uma cruel cobrança no sentido de que o outro nunca nos contrarie e permaneça, através do agradecimento, escravizado aos nossos desejos. Daí a importância do “sim” e do “não” em nossos relacionamentos.

A esperteza, o oportunismo, o dar “por amor” e cobrar depois é a forma que aprendemos. Pessoas livres, autônomas, verdadeiramente amorosas se relacionam com o máximo de clareza. Comprar o possível amor do outro, através da renúncia, da bondade, do favor, do sacrifício, na esperança de ter o outro é abrir um caminho complicado de sofrimento. Talvez isso explique a nossa grande dificuldade de dar o não a nossa compulsiva necessidade de agradar sempre, de “puxar o saco”, de pensar mais no outro do que em nós mesmos. Se você espera resposta para sua bondade, é melhor não tê-la.

Existem vários caminhos. Porém, o que se aproxima mais de uma realidade perversa que se enquadra no mundo de hoje é partir. "Eu amo o amor, mas estou só. Não importa que viva assim. Hoje, existe um coração que desconhece certos sentimentos." É estranho falar sobre isso com sobriedade. Ninguém se imagina nessa situação. No entanto, o próprio amor pode ensinar o caminho para longe do passado e talvez eu tenha aceitado recontar minha vida de uma forma muito interessante.

Jamais confunda partir com fugir. Eu prefiro enfrentar e crescer com tudo isso. Afinal, a vida é uma caixinha de surpresas, e tanto a razão quanto a emoção, ao atingirem um equilíbrio, estão sujeitas a alterações. Não se pode esquecer que não renunciar também é uma opção. É interessante pensar e refletir um pouco sobre.

Eu nunca abandono nada nessa vida. Quem viver verá.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Lado sombrio de um Aquariano.


Dizem que os aquarianos conseguem perceber as coisas antes de todo mundo. O chato do aquariano é ter o dom de ser futurista e como tal, ele antecede fatos, situações e depois que você vacila ele solta: “Eu avisei!”. Bem verdade. O aquariano tem tendência a ser diferente e aparentemente tranquilo.

Ele se antecede as tendências, então tudo que ele disser que é bom ou vai pegar, acredite: é possivelmente bom e tem grandes chances de pegar! Isso chega a ser bastante interessante e até certo ponto discutível. O aquariano tem humor. Ele tem uma loucura interna e um desprendimento das convenções que não é tipo, que não é calculado. Ele é naturalmente assim. Tem uma intelectualidade vibrante, é curioso, cientista, adora analisar as coisas, os fatos, teorizar sobre algo ou mostrar um lado da questão que ainda não foi explorado.

No amor, é divertido, desencanado, jovial, e não esquenta muito a cabeça com nada. Nada de supérfluo, lógico. Na verdade, é dedicado, mas nem ouse tentar prende-lo. Ele respeita muito o espaço do próximo e exige ter o seu espaço respeitado. É consciente, honra com a palavra e procura ser fiel até você provar o contrário. Um erro é suficiente para perdê-lo. Orgulho? Talvez. O aquariano é cauteloso, trabalha passo a passo e busca resultados na medida do possível.

Prestativo, solidário, companheiro e bondoso, o aquariano é muito observador. Ele analisa tudo ao seu redor, o tempo todo, sem você perceber. É bastante conservador, porém aberto ao novo. É muito familiar. Gosta de se sentir amado e prega a reciprocidade. Atrai-se por pessoas que lhe fazem sofrer. Recebe pouca recompensa nos seus interesses humanitários. Tem dificuldade para realizar seus objetivos, porém persiste e acaba conseguindo.

Nervoso e chato quando quer, costuma ocultar esses traços debaixo de uma máscara de frivolidade. Mostra-se inflexível, quando quer ficar sozinho consigo mesmo e só aceita ajuda caso esteja no comando. Seu mau humor é marcado por um tenso e ameaçador silêncio, com surtos de raiva e excentricidade. Julga-se o único capaz de decidir qual o momento adequado para se discutir determinado assunto. Tem o belo defeito de ter a capacidade de conservar ódio e aversão por quem o enganar, mas com o tempo deixa quieto. Ele não demonstra o que está sentindo facilmente. As palavras com as quais ele expressa o seu amor são como um livro enorme. O aquariano é paciente, consegue controlar sua ansiedade, porém não espera muito por ninguém. Logo ele age sem se importar com seu sentimento. Ele precisa se sentir bem. Entregar-se a tristeza não é uma boa pra ele.

O Aquariano veio ao mundo com a missão de marcar a vida das pessoas por onde ele passa. Enquanto muitos desejam, o aquariano faz as coisas acontecerem. Ele persegue seus objetivos mesmo que custe sua própria vida.

Não é ótimo? Você pode ter um produto importado, que prevê o futuro, sabe de tudo que está acontecendo e que ainda te ama nos dias em que você se sente menos amada.

Tudo isso pelo preço de você não ser tão conservadora e reservar sempre uma boa mente aberta.

domingo, 12 de janeiro de 2014

É perigoso despertar as pessoas dos seus sonhos!


"Impeça alguém de me acordar, realidade é melhor sonhar! ♫"


Eu quero que você não pense em nada triste. Tente ficar feliz. Queira ficar feliz. Queira ficar comigo. Queira ficar. Permita-se. Permita-me.

Batimentos por segundo, quilômetros por hora. Rasque o verbo, quebre os limites, derrube os muros que te prendem às memórias que te cansam e consomem. Você é mais forte do que isso. Você é mais. Mais do que eu sempre quis. Oceano de águas paradas. Das quedas que eu provei, a melhor. Tente entender  o que significa continuar mergulhando, mesmo sem saber nadar,  só pelo prazer das tuas mãos percorrendo o meu corpo e dos teus beijos me devolvendo a vida. Tente entender que não há escolha, caminho ou vento certo que me impeça de querer voltar, sempre, ao mesmo lugar: teu quarto, no calor do teu abraço, querendo, o tempo todo, um pouco mais de nós dois.

Que a vida passe, que o mundo acabe. Envelheça comigo. Continue sendo a minha única possibilidade de paz, o meu único sonho nas noites em que a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito. Continue, sempre, usando as palavras certas nos momentos errados e salvando o que sobrou de nós somente quando está prestes a me perder para sempre, ou só até o entardecer, quando a noite cai de alturas impossíveis e nós, dançando à beira do abismo, rimos desse absurdo que é querermos ficar juntos.

Não me olhe como quem não sabe o que quer, porque meu coração está pronto e disposto a convencer o teu. Se enxergue com os meus olhos e entenda o porquê. De eu querer estar perto, fazer o bem, cuidar, ter pra sempre, sem que a posse o sufoque.

Não pense que é indiferença, mas, deitado aqui, te olhando, tão linda e confiante no teu discurso de quem já viu e viveu o inferno, só consigo pensar em quanto tempo vou levar pra lamber o sal dos teus ombros largos e desejar a tua mão me levando pra perto, mais perto. 

Entra em mim. Deixa o resto pra amanhã, ou depois. Tanto faz se depois for nunca mais.

Você prefere sonhar algo bom ou viver uma realidade triste?

Sonhar não custa tanto assim, custa?

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Para bom entendedor, meia palavra basta.


Tá tudo tão bagunçado. Tão confuso. São muitas mudanças. Muitas crises. Muitas coisas. São tantos sentimentos. Tanta pressão. São tantas histórias. São tantas pessoas .. Isso tudo tá me machucando tanto. Tá deixando tantas cicatrizes. E eu não sei se eu sou capaz de aguentar essas mudanças radicais. Eu sei, as vezes é preciso que aconteça mudanças, mas eu não acompanhei essas mudanças. Não sei se dá mesmo para aguentar tantas coisas em um só coração.

Pela primeira vez em muitos anos eu não me reconheci. Era uma misturas de sentimentos: alegria, tristeza, mágoa, raiva .. não sei o que aconteceu comigo. Acho que quanto mais eu penso, mais tento cair na real e aceitar que não existe explicação para coisas tão sem sentido. É estranho. O que antes eu achava que era uma simples moeda de dois lados, hoje mais parece um dado com seis. Eu tive uma bela de uma frustração que me mostrou uma estranha felicidade, algo que me fez entender que enquanto existir 1% de chance de dar tudo errado, isso pode acontecer, tanto é que aconteceu. Onde estaria a felicidade então? boa pergunta. Entendi que o lance da moeda era bobagem, que tudo na verdade deve ser um dado. Que talvez eu ainda precise vivenciar os outros quatro lados restantes para quem sabe entender um dia o significado de tudo isso.

Não me arrependo se chorei, se meu coração ficou apertado com medo de perder alguém ou simplesmente com medo de aceitar o que talvez eu nunca consiga fazer ou ser. Diversas vezes pensei que iria acordar e esquecer tudo que aconteceu, mais essa sombra vai me perseguir sempre. Eu me vejo tão cansado pra persistir nessas coisas de recomeço, nessas coisas de viver um dia de cada vez, isso tem me irritado tanto. Acho digno esperar a vontade de Deus, mas eu prefiro não comentar a respeito disso. Minha vontade as vezes é esquecer que um dia  meu coração se apaixonou, mesmo o pobre coitado não querendo aceitar essa ideia, porque ele é idiota, ele prefere sofrer a perder pessoas queridas.

Não é que eu esteja perdido nos meus pensamentos. Eu até tenho me esforçado muito pra viver, até porque muitas coisas fazem sentindo e isso é bom. Mal tenho pensado na vida, pra falar a verdade. Simplesmente coloquei uma meta e decidi segui-la. Decidi ir por uma das vertentes que abriram pra mim. É meio chato, mais pelo menos eu não fico tão pra baixo.

De fato está tudo imensuravelmente bagunçado. Me encontro em óbito de sentimentos, pelo menos por hora, afinal de contas, tenho todo o direito reservado pra tentar me encontrar em meio a tanta bagunça naquilo que chamo de vida. É até engraçado. Meu quarto continua o mesmo. Chego de mais um dia angustiante de trabalho ou algo que eu tenha ido fazer por aí, jogo a calça em um canto qualquer e ali ela permanece. Olho pro lado e vejo latinha de coca-cola, celular, papéis que ousei escrever algo sobre qualquer coisa, baquetas e partes de um instrumento musical (partes não, meu teclado tá inteiro, rs), cama bagunçada, tênis revirados, mochila aberta sem nada dentro, livros da faculdade .. e a coragem? ah, essa tá perdida por aí. Por enquanto o reinado é da preguiça. A música está ecoando baixo dessa vez, nem estou prestando atenção no que está tocando. Várias e várias músicas se passaram e já não sei se a letra está fazendo algum sentido pra mim ou se está deixando a minha vida um pouco mais bagunçada. Tudo tão banal. Passei muitos dias sem expressar sentimentos meus em palavras quaisquer, percebi então, que mais um tempo de vida se foi, e confesso, só percebi agora. 

Esse meu esquecimento mostra o quanto não estou preocupado com o tempo que está passando. Pode até ser que seja um certo relaxamento da minha parte e até entra em contradição com o fato de eu estar meio perdido com algumas coisas na minha vida e ter certos "desesperos" por algumas respostas. O fato é que sempre busquei fazer tudo com calma. Sempre quis fazer tudo com paciência. Quis sentir que estava seguindo o caminho certo, mesmo que eu não percebesse que o tempo estava passando depressa. 

Está tudo bagunçado demais pra eu me importar com o tempo. Aquele cara organizado, que tem cada detalhe em seu lugar, já não se encontra mais aqui. Hoje digo que tudo se encontra espalhado, dentro do peito e lá fora no mundo.

Eis que depois de tantas coisas ousaram me perguntar sobre você, não diretamente, mas perguntaram. Me perguntaram se eu sonhava com alguém antes mesmo de dormir. Me perguntaram se existe aquele alguém que não sai um minuto sequer da mente. Me perguntaram de quem eu lembro quando assisto um filme de romance. Todas as perguntas que me levam a pensar em uma só pessoa. Aquela pessoa que tem autoestima o suficiente pra me bagunçar mais um pouco, mas ao mesmo tempo, colocar todos os sentimentos que busco sentir, e minha vida, em seus devidos lugares. Lembrei de como tua voz me acalma, mas ao mesmo tempo, me deixa tão eufórico. E aí que eu tive muita raiva, mais muita raiva mesmo. Eu não queria lembrar dos sentimentos que tenho, muito menos da ultima vez em que ti vi, não queria lembrar que você é o motivo de toda essa bagunça, porque por mais que eu tente consertar e deixar tudo em seu lugar, lembro que tenho esse negócio, que batizei com teu nome, pelo qual sou tão viciado. Deveria existir uma clinica para reabilitação de coração apaixonado. Eu com certeza estaria em uma cama, internado, com uma agulha enfiada na veia e esperando tua voz cansada me dizer que já podemos ir pra casa.

Essa bagunça dentro de mim se torna tão visível dia após dia. Pessoas percebem que sinto falta de um alguém em minha vida. Pessoas percebem que sinto falta do romance pulsionando forte. Pessoas sentem que sinto falta de não sentir medo de amar. Elas também sabem que sou uma bagunça por dentro e por fora. Estou cansado de não saber lidar. Estou cansado de muitas outras coisas. Não esperava escrever tão cedo esse ano, mas o acaso me trouxe até aqui e em todas as palavras que tento encaixar alguma coisa, só encontro meus sentimentos, ou pelo menos o que restou deles. 

Confesso que não tenho um final pronto pra esse texto, não estava pensando em escrever nada no dia de hoje, então, já que percebi que o ano está só começando, preciso ensaiar alguns rituais de limpeza pra aquilo que chamo de sentimentos. Enquanto não encontramos clinica para coração apaixonado…entrego meus sentimentos a mais um mês que começa, mas que também irá embora. Que ele aceite levar embora, porque já se tornou insuportável carregar tais aflições. Enquanto isso, me privo de arrumar essa bagunça, me privo de juntar as coisas do meu quarto, me privo de não pensar em alguém. No fim das contas, toda bagunça tem o seu real motivo e para bom entendedor, meia palavra basta.